-
Lucas, Eu... Eu quero que você saiba... Você é o primeiro garoto por quem eu me
apaixonei. Eu gosto de você. – sorri tímida e olhei para baixo, não estava
acreditando na minha coragem de tudo aquilo falar.
-
Eu não acredito que você falou isso, até porque, eu deveria ter dito isso
primeiro. Eu acho que... Antes de você gostar de mim, eu já gostava de você.
Kate seja a minha namorada.
E
sem pensar, corri para abraça-lo, era o melhor dia da minha vida.
-
Kate! Kate!
-
Esta aula está muito chata para você?! – perguntou a professora, me acordando do
meu melhor sonho.
Balancei
a cabeça negando sua pergunta e olhei para meu lado esquerdo, onde Lucas estava
sentado e me olhando.
Como
podia ser tão lindo? O sorriso, o cabelo, tudo combinando de uma forma tão
perfeita.
O
sinal para o fim da aula tocou minutos depois, todos os alunos se levantaram de
suas mesas e saíram da sala, junto com a professora, e eu, fiquei na sala,
arrumando meus materiais e escutando Larissa e Layla falar suas besteiras.
-
Você estava sonhando com ele? – perguntou Larissa. – Você esta piorando a cada
segundo. – falou ela se sentando do meu lado na mesa.
-
O que você estava fazendo? – Layla disse, me olhando curiosa.
-
Deve ter sido...
-
Eu sonhei com a minha vitória no amor!!! – gritei, interrompendo Larissa falar.
Elas
me olharam com a maior cara de fica quieta e eu entendi que tinha falado merda.
-
Eu conseguirei... realmente? – perguntei mais para mim do que para elas.
-
Você realmente acredita que eu conseguirei fazer isso? – perguntei nervosa.
Larissa
me olhou de longe e fez que sim com o polegar, sussurrando algo.
-
Com certeza sim. Vai com tudo. – sussurrou ela de longe.
-
Mas... – falou Layla.
-
Calada! – interrompeu Larissa. – Ele esta vindo, concentra! – ela continuou e
logo se abaixou para que ninguém a visse.
Prendi
a respiração, na intenção de alguma melhorar com ela em falta e coragem a mais
surgir.
-
Eu... eu não consigo. Estou muito nervosa... Não consigo respirar. Talvez eu
não devesse fazer isso! Não! Eu tenho que confessar meus sentimentos para ele. –
pensei e me virei, para poder encara-lo, com a cartinha na mão.
Querido Lucas, como eu posso dizer? Nesse colégio tem tanta gente, e
eu fui logo gostar de você. É coisa de babaca, eu sei, mas não aguentava mais
esperar por algum sinal de vida teu, então decidi colocar tudo no papel logo de
uma vez, e dizer que meu coração idiota bate cada vez mais forte de amores por
você. Perdão se tudo isso foi tão de repente, e até entendo se não quiser mais
falar comigo, mas eu realmente preciso dizer.
Eu gosto de você!
Com amor, Kate.
-
Lucas, eu gosto de você! Por favor, saia comigo!
Olhei
para o lado e vi-o subindo as escadas, como se não houvesse escutado o que eu havia
falado, ou muito pior, me visto ali.
E
quando voltei a encarar a carta, alguém estava bem em minha frente. Um garoto,
que insisto dizer que nunca vi em minha vida, me olhava com grandes olhos castanhos
quase mel e com cabelos espetados para cima, num tom mais claro que os olhos.
Soltei
a carta num movimento brusco.
-
Eu... Confessei para a pessoa errada! Você... Isso... – gaguejei tentando me
explicar meu mal entendido.
-
Kate! Kate! – gritou Larrisa, me chamando a atenção para onde ela estava, e
então sai correndo.
-
Normalmente, uma pessoa não confessa seus sentimentos para a pessoa errada. –
falou Larissa, olhando para seu copo de café.
-
Eu estava tão nervosa... Eu não conseguia enxergar claramente quando eu saí
correndo.
-
Você... é tão estúpida! – falou Larissa
-
Além disso, aquele menino é um novo aluno do curso de Artes Plásticas, Justin. –
exclamou Layla, olhando em uma frequência de sala.
-
Não me interessa quem ele é. Ele parecia tão arrogante. – falei olhando para
meu café.
-
Kate, que acho que você deveria saber mais sobre ele. Eu ouvi dizer que ele é
filho único do Presidente da nossa faculdade. Com o apoio do seu pai, ele
continua a vir com ideias estranhas, como cursar Artes Plásticas. Ele é o líder
de um grupo de garotos, que consideram o estranho comportamento dele como
normal. – falou Larissa desconfiada.
-
Eu ouvi que quando eles estavam no Ensino Médio, eles sempre matavam aula e agiam
como delinquentes. Sempre causavam problemas! Apesar dos avisos da escola, ouvi
dizer que eles também foram presos. Eles se pareciam mais com gangsters do que
com estudantes. – falou Layla me olhando estranho.
-
O mais absurdo é que, apesar de ser claramente um estudante ruim, as garotas
ainda corriam atrás dele. Na internet, elas o chamavam de... PRINCIPE DA
SEDUÇÃO.
-
Ah! – reclamei, apoiando minha testa em meus braços que estava sobre a mesa. –
Para cometer um erra desses na frente daquele cara, eu sou muito azarada.
-
Não é tão ruim assim. Pelo menos você não é odiada pelo cara de quem gosta. –
falou Larissa tentando me animar.
-
Sim. Você vai encontrar outra oportunidade para dizer que gosta dele. – falou Layla,
com a mesma intenção que a amiga.
-
Uhm, eu espero. – falei, ainda de cabeça baixa. E foi quando me lembrei da
minha carta. Levantei a cabeça assustada.
-
O que é? – perguntou Larissa, assustada como eu.
-
Onde está a minha carta?
-
Como eu poderia saber? – falou Larissa indiferente.
-
EU A PERDI!!! O que eu devo fazer? Não consigo encontra-la. Se alguém acha-la,
todos ficarão sabendo. Tinha os nossos nomes escritos nela.
Voltei
ao lugar onde eu havia deixado cair, e comecei a procura-la preocupada, se
alguém a acha-se, minha vida esta arruinada. Será que o venta a soprou para o
jardim? Era bem provável, já que estava chovendo e ventando forte. Então corri
até o jardim, e me agachei, varrendo todo o terreno com os olhos a procura da
minha carta, mas nada.
-
Colega, está procurando alguma coisa? – ouvi a voz que eu mais adorava ouvir
soar do meu lado.
-
Sim. – falei simplesmente.
-
O que é? Eu te ajudo a procurar.
-
Estou procurando por... – e foi quando me dei conta de com quem eu estava conversando.
– Um trevo de quatro folhas.
Eu
não poderia contar o que eu estava realmente procurando, não naquela hora e não
para ele.
-
Trevo de quatro folhas? – ele perguntou realmente curioso.
O
que eu estou dizendo? Poderia parecer mais idiota?
Balancei
a cabeça positivamente, como se realmente fosse aquilo que eu estava
procurando.
-
Olá. Sou Lucas. Nós estamos na mesma turma de Economia.
-
Sim, Economia.
Voltei
a procurar, mas dessa vez, não mais a minha carta. Como se eu fosse achar um
trevo de quatro.
Senti
ele se aproximar de mim, me fazendo prender a respiração. Olhei-o, e sim, ele
estava se aproximando cada vez mais de mim, e me olhando tão intensamente. E
quando fechei meus olhos, ele apenas tocou no meu ombro rapidamente.
-
Não se assuste. Havia um bicho no seu ombro.
Um
bicho? Passei por tudo isso, meu coração disparou tanto assim por causa de
bicho no meu ombro, mentira.
-
Esta ficando escuro. É melhor você ir logo para casa. – ele disse e se
levantou, indo embora e me deixando sozinha no frio do fim de tarde.
-
Lucas! – gritei, fazendo-o olhar para mim. – Meu nome é...
-
Kate.
Ele
sabia meu nome!!!
-
Bye Bye.
Ele
conversou comigo! Ele sabia o meu nome!
-
Alô? – falei feliz.
-
Alô, Kate? Você encontrou a carta? – falou Larissa do outro lado da linha.
-
Não encontrei! – falei me lembrando da carta.
-
Não? Não se preocupe. Nós podemos procura-la amanhã. Ok? Bye. – e então ele
desligou.
-
Deus, por favor, faça com que aquela carta voe até a Argentina! – pensei alto. –
Mas esta tudo bem. Se eu não tivesse voltado para procura-la, eu não teria
conversado com Lucas.
-
Senhora proprietária. – falei entrando no restaurante que minha mãe trabalhava.
-
Kate, você está aqui. – falou a senhora muito simpática.
-
Eu vim para encontrar a minha mãe.
-
Ela saiu para entregar uma encomenda... Numa empresa perto da esquina. Eu disse
para ela ir direto para casa depois. – ela falou, em quanto limpava uma das
mesas.
-
Eu vou procura-la, então. Obrigada.
-
É mesmo, me deixe falar... Ultimamente sua mãe parece distraída. Por isso,
fique de olho nela, por favor.
-
Ok. Eu entendi. Bye.
Sai
do restaurante, e fui andando a procura de minha mãe.
Estava
andando pela rua, onde a proprietária do restaurante disse que minha mãe provavelmente
estaria, e a encontrei andando devagar e portavelmente nas nuvens.
-
MÃE! – gritei, assim que a vi escorregando na escada onde descia.
-
Kate! – ela falou assim que me viu correr em sua direção.
-
Você esta bem? – falei já perto dela.
-
Esta doendo muito. – ela falou me mostrando um pequeno corte na mão.
-
Mas mãe, nem esta tão grande.
-
AH!
-
Ok, eu vou te levar para casa, venha. – ajudei-a a levantar e caminhamos para
casa.
-
Aah... isso dói! – ela falou assoprando o corte, não me permitindo terminar o
curativo.
-
Já esta tudo bem.
-
Dói.
-
Ok, pronto. – falei guardando um remédio cicatrizante.
-
Use isto! – ela disse me mostrando um band-aid da hello kitty.
Eu
a olhei com cara de “fala sério” e ela me respondeu com um balançar de cabeça
positivo.
-
Ok. Por que você não é mais cuidadosa?
-
Que desperdício de comida...
-
Mãe, há alguma coisa te incomodando? Não? – ela balançou a cabeça como um não. –
Sua chefe falou que você anda distraída no trabalho.
-
Eu...
-
Você não disse que nós nunca guardaríamos segredo uma da outra? – ela foi
abaixando a cabeça, com vergonha. – Vamos.
-
Aonde?
Fui
puxando-a até chegar num lugar que ela costumava me levar quando eu era mais
nova. Um parquinho na esquina de casa.
-
Eu me lembro de que quando o papai faleceu, nós estávamos falidas. Nós não tínhamos
dinheiro nem para pagar a viagem da escola. Naquela época, houve um furto na
escola e todas me culparam por ele mesmo não tendo nenhuma prova. Eles não
acreditaram em mim, e então começaram a implicar comigo. Eles até rasgaram meu dever de casa e jogaram
minha mochila na lata de lixo.
-
Mas, naquela época, você não me falou nada, porque não que eu me preocupasse. –
ela falou se lembrando do que havia acontecido. – Em vez disso, você faltou na
escola para vir aqui. Quando eu finalmente encontrei você, ainda assim você não
me contou nada. – ela continuou.
-
Eu lembro que você me disse: Kate, não importa o que aconteça, eu gostaria que
não houvesse segredos entre nós. Nós só temos uma a outra. Você se preocupa
comigo assim como eu me preocupo com você, não é verdade? Kate, eu quero ser a
pessoa mais próxima a você. Eu quero compartilhar toda a sua felicidade e a sua
tristeza... para sempre. E a partir de então sempre que houvesse alguma coisa
que nós não conseguíamos falar, nós vínhamos aqui.
-
Kate, me desculpa. Eu não fiz de propósito. – ela falou baixo.
-
Qual é o problema? Me conta. Vamos resolvê-lo juntas.
-
Eu... Eu me apaixonei por uma pessoa.
-
O que você disse?! Seu segredo é que você se apaixonou por alguém?!
-
Eu menti para você e me encontrei com um homem em segredo.
-
Eu nunca imaginei que você estivesse namorando! – gritei.
-
Eu nunca mais o verei!
-
Ele é casado?! Você é a destruidora de lares que acabou com o casamento deles?!
-
Não. Ele é divorciado.
-
Você tem certeza?! Como vocês se conheceram?! Há quanto tempo vocês estão
juntos?!
-
Eu o conheci quando... ele veio ao nosso restaurante... – ela começou a contar
a historia longa de como haviam se conhecido.
-
O que é isso que vejo no seu rosto? – falei assim que ela parou de falar.
-
O que é?
-
Desde quando o papai morreu, eu não via essa expressão.
-
Desculpa. – ela disse e abaixou a cabeça.
-
Você deveria ter arranjado um bom homem para você antes.
-
Você realmente não esta brava? Você não é contra?
-
Se esse homem é tão bom quanto você disse, por que eu deveria ser contra? Eu te
apoiarei 100%. – ela sorriu e me abraçou forte.
-
Então... – disse me soltando do abraço.
-
O que é agora? – falei entediada.
-
Eu posso sair hoje à noite...?
-
Se eu falar que não... – ela me olhou com uma cara assustada. – Eu não seria
uma filha má?! – ela gritou de felicidade e me puxou para outro abraço.
- Mãe... Divirta-se no seu encontro! Use roupa sexy e o seduza!
-
Ok! – ela disse rindo e saiu correndo de volta para casa.
Eu
nem havia percebido que minha mãe estava namorando. Desde que meu pai morreu, não
a via tão feliz assim.
Voltei
para casa depois de dá algumas voltas pelo quarteirão, tentando pensar em algo
para fazer quando chegasse em casa, mas como não pensei em nada, apenas tomei
banho e fiquei assistindo TV até pegar num sono e só acordar no dia seguinte.
Quando
acordei era 7:00 horas dá manhã, tomei um banho rápido, já que estava atrasada
e me vesti, estava fazendo frio.
Tomei
café da manhã e sai de casa, andando devagar até chegar na faculdade, indo
direto para a sala. Mas quando cheguei no corredor que dava acesso a minha
sala, vi aquele mesmo menino do dia anterior, Justin, parado no meio dele e
sorrindo perverso para mim.
-
Você perdeu alguma coisa? Para Lucas... De Kate.
Me
virei, olhando para minha carta que estava em suas mãe. Andei até ele, sorrindo
falsamente e quando cheguei perto, tentei pega-la. Mas ele esquivou a mão, e
continuou a me olhar, com o mesmo sorriso perverso.
-
Por que me agradece?
-
Anh?!
-
Não seja estúpida. Eu não estaria aqui tão cedo apenas para devolver uma carta.
Eu ordeno a você... que a partir deste momento... você seja minha...
-
O quê?
-
Minha escrava.
-
Que piada de mau gosto. Devolva a minha carta!
-
Devolvê-la? Não acho... que você tenha entendido a situação. Se eu... fizesse
cópias desta carta... digamos... 1000 cópias, e as jogasse do telhado, o que
você acha que aconteceria?
Me
imaginei em uma situação como essa que ela havia dito, e não seria nada legal
ter varias pessoas lendo o que só uma pessoa devia saber.
-
Sou um calouro no curso de Artes Plásticas. Você não precisa me chamar de “mestre”.
Apenas me chame de Justin.
-
Justin, que é essa garota? – perguntou um garoto, me olhando de cima a baixo e
vindo até minha direção.
Justin
havia me carregado a força para uma sala, onde as cadeiras estavam desarrumadas
e quatro garotos o esperava.
-
Onde você a encontrou? – falou outro garoto, me encarando.
-
Por que ela está tremendo?
-
Ela é Kate. Ela fará qualquer coisa que eu pedir. – falou Justin, sentado em
uma cadeira, todo largado.
-
Qualquer coisa? Legal.
-
Posso ver sua roupa intima?! – perguntou um dos caras, que estava parado atrás
de mim.
-
Bons modos! – gritou um que estava do meu lado. – Ignore-o. Eu sou Chaz. Não
te farei mal. Sou um cara muito legal, por isso... deixe-me beijá-la.
-
Seus pervertidos! – gritei e senti meu corpo bater contra outro.
-
Se afastem! Vocês não entenderam? Ela é exclusivamente minha. Ela ouve apenas a
mim. – Justin havia me puxado e colado nossos corpos. – Certo? – ele falou bem próximo
ao meu rosto, tão próximo que eu podia sentir sua respiração bater contra meu
rosto, e sentir também seu hálito fresco no mesmo. – Seja obediente...
ou revelarei a carta.
-
Sim, eu sou sua serva mais leal.
Eu
só senti meu corpo amolecer, e meu mundo desabar sobre minha cabeça. Tudo
estava perdido. Ou eu fazia o que ele dizia ou eu me preparava para sofre com
todos soando com a minha cara.
Continua??
Ps: as partes destacadas são pensamentos da Kate, ok? bjss